segunda-feira, setembro 18, 2017

Já só faltam 151 dias!

Grávida de 19 semanas.  E já engordei todo o peso recomendado numa gravidez de 9 meses (pânico, terror).

Com os olhos pregados no chão, mortificada de vergonha, lá fui à nutricionista de gestantes da CUF (não podia ir à última nutricionista depois da desonra épica da  gravidez do Francisco). Depois de 1 hora de negociação, vozes altercadas e recriminações subliminares da nutricionista, saio do consultório a suar em bica e com uma dor de cabeça enorme e vou para o escritório com a dieta na mão.

Antes de chegar, encontro-me com a minha amiga Tininha à porta do escritório.  Tira-me o papel da dieta da mão e lê com interesse.

E agora, eis a verdadeira diferença entre Pessoas Saudáveis, Magras e Equilibradas (atenção: não me refiro às pseudo-magras que se alimentam a tabaco, coca-cola diet e cápsulas Biolimão) e a minha Pessoa:

Tininha (Magra Salutar) : O que é isto?!

Eu (Bem-Nutrida  Sôfrega): Já engordei 12  quilos. É A merda da minha dieta.

Tininha: O QUÊ???DIETA??SE EU COMESSE ISTO TUDO REBENTAVA LOGO E MORRIA AGONIADA!!

Releio a dieta nascida de um braço-de-ferro entre titãs, eu a implorar de um lado que não me tirasse o pão, a nutricionista a rugir do outro a esfregar-me nutrientes subitamente essenciais numa gravidez.
Olho para a Tininha com um misto de vergonha e vontade de lhe chegar  com a mão fechada à cara.

Tininha: Epá, a sério, tu comes isto tudo?

Eu (desalentada): NÃO, EU COMO 10 VEZES ISSO!!! OU TU ACHAS QUE EU COMO ALPERCES DESIDRATADOS  DE LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE??? EU ODEIO ALPERCES, AINDA POR CIMA DESIDRATADOS! EU  QUERO É PÃO COM CHOURIÇO  E BITOQUES!! EU NEM SEI BEM A DIFERENÇA ENTRE UM ALPERCE E UM PÊSSEGO!

Vi pela expressão saudável dela (rapariga nascida e criada no Alentejo profundo, latifundiária até ao último costado), que estava mortinha para me explicar as diferenças, e enaltecer todas as frutas do mundo e damascos e afins.

- E OLHA QUE NÃO SEI NEM QUERO SABER!!!

Não insistiu mais. Tentou até mudar de assunto e perguntou-me qual já era o peso do bebé.

- 280 gramas  - respondi.


Viemos as 2 desoladas no elevador.

domingo, abril 30, 2017

Gosto de Prisões, salvo seja. Menos desta.

Caros leitores, quero dizer-vos que a PRISÃO de MONSANTO, apesar de ser de alta segurança, é a MAIOR SECA  de situação/coisa/edifício que eu já vi na minha vida. Não quero mentir, mas é um aborrecimento tal que, sempre que lá vou, tenho que beber antes um café duplo para não adormecer em cima da mesa, enquanto espero pelos reclusos.

Um destes dias fui ver um cliente meu e, ao contrário do que algumas pessoas julgam, eles não estão lá porque são todos perigosíssimos ou depravados sexuais de primeiro nível, mas também porque são pessoas que:
a) - Conseguem fugir com alguma facilidade e isso irrita, compreensivelmente, quem de direito;
b) Costumam entrar em grande pancadaria, género sovas desfiguradoras com quem quer que seja, arrancando antebraços à dentada,o que pode constituir um perigo para todos; 
c)- Costumam alinhar em motins pouco espertos e que raramente são resultado. Ou nunca.

Ora o meu recluso cabe nesta última alínea e, apesar de ser uma jóia de moço, tem um temperamento muito reactivo, de justiceiro e amante de briga alheia (tal como eu, mas felizmente ainda estou deste lado da bancada), e como assentiu numa qualquer idiotice motineira, foi lá parar à prisão de Monsanto. 

Como este estabelecimento prisional é de alta segurança, praticamente entramos na sala com a roupinha que temos no corpo e eventualmente um lápis mal afiado e umas folhas. O resto fica num cacifo. A sério,  nem uma canetinha e revistas para fazer bigodes no Jet7, quanto mais o meu telemóvel repleto de dados móveis para me viciar no Pinterest. Uma seca.

Naquele dia, fiquei  trancada numa sala 1 hora. Foi das coisas mais desesperantes da minha vida, eu própria já estava comovida com a minha tragédia. (Uma médica informou-me que era suposto as pessoas conseguirem estar sozinhas com elas próprias. Sem estarem a ler, a contemplar o oceano, ouvir música ou a dar festas no cão. Simplesmente sozinhas. Achei aquela frase completamente perturbadora. E claro que não consigo).

Entretanto lá fiz amizade com umas formigas, e aparece o cliente... Eu completamente FULA.
- "Peço imensa desculpa... mas não pude mesmo vir antes". - estava claramente comprometido.
-" Não?! Porquê?"
- "Eu estava a acabar de...de... jogar dominó". - respondeu embaraçado.

Fiquei com ar de macaca mal amanhada. Ele respirou fundo.

-" Estava a jogar dominó. A pares. Com o Pedro Dias. Era o meu par, não pude fechar o jogo..."
-  Ele está ali ao fundo, é aquele " - e apontou-me uma pessoa que se esfumou quase por magia.

Demorei uns 5 segundos. Confundo sempre dominó com xadrez, não sei o que é fechar um jogo, e Pedro Dias dizia-me algo, mas não sabia o quê. Olhei lá para o fundo e depois, a epifania. Alegado triplo homicida de Aguiar da Beira. (Entregou-se apenas com a mediação da RTP e Sandra Felgueiras).

Não costuma haver contacto físico entre nós, mas segurei na mão do recluso que ainda tremia.

- "Normalmente és estúpido. Mas desta vez fizeste bem. Nem sei como se joga dominó a pares, mas se ele era o teu, fizeste bem". - aquietei-o.

E saí logo dali bem rapidinho, com um CALAFRIO NO COSTEDO, estômago indisposto  e vontade de ser tudo na vida, menos advogada. Que medo. Coisas que não se explicam. Depois a vontade voltou, graças a Deus (e não gosto de invocar o Santo nome de Deus em vão). Sim, ainda bem que voltou. MAS, CHIÇA, QUE MEDO!!




(Eis onde se jogam graciosos jogos tradicionais como o dominó. Biblioteca. ) 

(Crédito da Fotografia: Visão)


(Credo, voltei a ter uma sensação de medo. Pode ser fome.)

sábado, abril 29, 2017

Crianças Felizes.

Tendo ido a um desses eventos caricatos que se chamam reunião de pais (que nem sei bem para que servem porque o miúdo só tem 4 anos, e quão de mau ou bom há para dizer de um anjo assim), mas lá fui. ESTADO DE CHOQUE. Recebi umas folhas a congratularem-me, uma vez que o menino já CONTAVA ATÉ 15, sabia IDENTIFICAR AS CORES e tinha destreza manual compatível com a sua faixa etária.

Apeteceu-me detonar qualquer artefacto à distância, estava profundamente irada com tamanha desonestidade intelectual. Até me ia recusar a rubricar tamanha mentira descabelada, mas depois percebi que na realidade não tinha que assinar nada (rosnido).

Quando o Pedro chegou  a casa, nem tive tempo para ir sentá-lo no sofá, buscar-lhe as pantufas, e levar uma xícara de chá como faço sempre. (Fora tudo o resto que lhe faço. Obrigada, obrigada).

Desabafei logo. Ai o miúdo sabe contar até 15?!  Então e eu não tive  que ir até ao Algarve com o miúdo a obrigar-me a CONTAR COM ELE ATÉ 90 (NOVENTA), e cada vez que ele se enganava obrigava-nos a RECOMEÇAR A CONTAGEM TODA DO INÍCIO (inequivocamente resquícios de neurose-obsessiva do meu irmão).

A Educadora não faz ideia do suplício dessa viagem... eu em Grândola quase que perdi a cabeça e abri a porta do carro para me atirar para  a berma da estrada, tudo isto e vem a senhora informar-me candidamente que ele conta até 15? ESCÂNDALO.

Mas, para não variar, o Pedro lê a informação escolar e fica muito satisfeito. Típico. Aquele homem vê beleza até na mais hedionda hemorroida proveniente de uma gravidez pesada. E, com carinho, aponta-me uma linha perdida lá pelo meio:

 - "Vês, é isto que verdadeiramente interessa. Nada mais".

Arranquei-lhe a folha. Parece que, entre a destreza manual e a autonomia no refeitório, faz-se a menção de que: "O Francisco é visivelmente uma criança feliz e divertida." Ok. Não tinha reparado. Demasiada informação pelo meio, e eu confundo-me facilmente.

 - "É nisso que temos que nos esforçar. Fazer dos nossos filhos crianças felizes" .

Posto isto, pai e filho vão jogar cumplice(i?)mente MARIOKART DELUXE 8 (jogo que consiste em disputar umas corridas numas trotinetes, num estádio olímpico repleto de animais e em que os corredores têm umas cascas de bananas que podemos atirar aos  nossos adversários (que me lembre, há um dinossauro meio roto, uma princesa, um gorila e o irmão do Mário, entre outras personagens encantadoras);

Eu, fico completamente posta de parte, na realidade só sirvo mesmo para descascar as cenouras do Francisco. Mas se isso o faz feliz... e é uma coisa tão simples (e mal parida...cenouras... blhaaccc).


Bem, ele é feliz, eu sou feliz, fico só na dúvida se devo subtrair-lhe, sorrateiramente ou não, a merda da TIARA DE DIAMANTES da Catarina da mesinha da cabeceira. Que nervos!!!Contribuirá a coroa brilhante para a sua felicidade?! Depois conto. Fica a foto para perceberem a minha angústia. Um grande bem-haja.

domingo, março 12, 2017

Nem dou título

O meu filho teve recentemente uma fissurinha no rabo, o que proporcionou longas horas de cumplicidade Mãe e Filho na casa de banho.

Era ele no trono lavado em lágrimas, e eu no chão no frio, sentada em cima das pernas, também em lágrimas, com um formigueiro desgraçado a consumir-me o músculo tibial.Conversávamos muito, e acabámos por chegar à parte em que ele tinha trazido no domingo anterior, de casa de uma amiguinha, uma linda TIARA.

Sim, a criança, agarrou-se à tiara da miúda e colocou-a delicadamente na própria cabeça rapada com gel . Olhou-se ao espelho e deve ter adorado o que viu, porque não só a levou para casa (a proprietária ficou tão admirada que não se importou que ele a subtraísse), como quis dormir com ela!

Tudo bem. Sem stress (mentira, escândalo).

Nesses  longos simpósios na casa de banho, esclareceu-me que um dia ia ter um bebé na barriga. Expliquei que apenas as meninas poderiam ter bebés. Olhou-me condescendente e repetiu: "Não, EU vou ter um BEBÉ na minha barriga, eu gosto muito de BEBÉS", e ajeitou majestosamente a sua tiara na cabeça rapada.

Ok. Sem stress.(mentira, surto de hiperventilação)

Nesta última sexta-feira, dia em que, aparentemente, a sua condição clínica melhorou, mas em que tivemos mais um colóquio de 1 hora na sanita, falámos sobre tudo. Sobre como era bom ir à terra da avó apanhar limões, como era giro calçar as galochas e ir à fazenda, depois ele confidenciou-me:

- "Mamã, sabes o que vou ser quando for grande?"

Olhei para a tiara cravejada de pedras preciosas, para a perninha cruzada de uma forma encantadora, nem que eu treinasse uma vida, ficaria sempre a anos luz de tanta elegância e distinção a defecar.

-" Queres ser.... bailarina é isso? Diz à mãe, é bailarina?  - estava consumida, o meu instinto de mãe dizia-me que era bailarina.

-" Não mamã. Quero ser Professora" .

- "Professor? Que giro, que profissão tão bonita! "

-"Não mamã, quero ser PROFESSORA"-  corrigiu-me, sem perder o porte altivo e sempre de coluna vertebral erecta.

 Chamei o Pedro, tivemos uma conversa franca: " Pedro. se o miúdo for GAY, só tenho este filho e acaba-se aqui a minha linhagem e quando eu falecer Susana desaparecerá para todo o sempre nesta vida terrena e não sobrará uma única micro-célula genética para me perpetuar! Nem uma merdinha de um protozoário com o meu DNA inscrito para recomeçar qualquer coisa que se assemelhe a mim !!!!!

Não acho bem, acho até muito mal!"


- "Achas que podemos tentar agora o 2.º filho ? "  (Bater de pestanas duplo)

Pedro, sintético:  "Agora não. E se for ratão pode ter um filho na mesma. Mas aí é que a fissurinha vai dar problemas a sério. Nem quero pensar no estado desse rabo".

Olhei para o meu Francisco, lindo como Jesus  (tentei ignorar a tiara). Querido 2.º filho, aguenta-te que não foi desta que o pai se comoveu. Paciência, vou pensar noutro ardil.







sábado, janeiro 07, 2017

EMEL é rabo.

Esta é uma história sobre valores humanos e, sobretudo, Gratidão.

Há uns anos que eu tenho a 8.ª maravilha do mundo, algo chamado “dístico da EMEL”, que me permite estacionar no Saldanha em Lisboa, todo o ano, por 12€ (sim, chorem todos, chorem muito).

No entanto, antes deste encanto, eu tinha que estacionar o meu carro e entregar a chave a um Sr. que era muito alcoólico, mas muito gentil, e que me punha os tickets dentro do tablier quando chegavam os psicopatas da EMEL.

Esclareço que o senhor andava sempre roxo das quedas monumentais que dava naquela calçada, mas nunca falhou nenhum ticket. Levava €20 pelo serviço.

Acreditem ou não, aquele Sr. Alcoólico, que mal se aguentava nos caniços, tinha uma fiel freguesia estimada em mais ou menos 50 pessoas, e a coisa funcionava muito bem: de manhã as pessoas entregavam as chaves dos seus veículos, ao final do dia os condutores iam recolhendo as suas chaves.

Se ficássemos a trabalhar até depois das 18h30, era o próprio Sr Alcoólico, já bêbedo que nem um cacho, que nos ia entregar as chaves aos respectivos prédios. Claro que muitas vezes estava tão bêbedo, tão bêbedo, que demorava uma eternidade a encontrar o nosso local de trabalho, primeiro porque se enganava 20 vezes na localização o prédio, e depois enganava-se 20 vezes no andar. Demorava uma média de 10 minutos para encontrar a nossa chave, mas sabia-as todas de cor.

Ora, naquela altura, havia um mito urbano que dizia que esse Sr. Alcoólico era um ex engenheiro de renome, que tinha trabalhado muitos anos no estrangeiro e que estava prestes a receber uma reforma choruda.

De ressalvar que o homem, que era avinhado mas muito esperto, percebeu que eu era a advogada mais desorientada do Saldanha e pedia-me sempre dinheiro adiantado.

Apelava-me frequentemente ao coração, chorando-se com a renda em atraso do quarto em que vivia, a falta de comida, os pijamas rotos; mas depois voltava a pedir-me dinheiro como se nada fosse, esquecendo que eu tinha já tinha pago e afiançando a pés juntos que eu estava a dever a última mensalidade.

(Eu andava sempre permanentemente confusa, acho que fui enganada todos os meses, uma vez que ele ficava ofendidíssimo com a minha insinuação de que já tinha pago, e normalmente adiantado. Ainda assim, mesmo que eu pagasse 40€, tinha a vida salva e isso não tinha preço).

Tudo isto para dizer o seguinte: uma vez ele apareceu todo sorridente, lágrimas nos olhos e disse que finalmente tinha-lhe sido atribuída uma reforma de Inglaterra e recebia 3500€ por mês! Mostrou-me uma carta e tudo.  

Fiquei chocada por um alcoólatra crónico, sempre sentado no vão de escadas, ganhar mais que eu. Mas depois agarrou-me na não, olhou-me nos olhos, um olhar de perfeito bêbedo mas tão sincero e comovido e disse-me:

mas eu não esqueço quem me fez bem, não esqueço, nunca irei esquecer. Por isso eu vou continuar por aqui, afinal, não tenho ninguém na vida, só vos tenho a vocês, e não tenho palavras para vos agradecer o que fizeram por mim, sobretudo a Susana” (ahhhhhh pois!!! naquele  momento tive a confissão tácita que ele me enganava sempre, e fazia-me pagar 2 vezes ao mês, o lambão).

Primeiro fiquei super aliviada. Não saberia o que fazer ao meu carro se não fosse o Sr. Alcoólico.

E também fiquei emocionada. Aquele homem, bêbedo ou não, estava-me grato, e a gratidão é uma palavra maravilhosa, um sentimento nobre, de um poder imenso.

Epá, então não é que NUNCA MAIS VI O FILHO DA P*** NA MINHA VIDA!!! NUNCA!!!!

quarta-feira, novembro 30, 2016

Susana e Jon Snow. Soa tão bem.

Fomos a Londres recentemente, a casa de uns grandes amigos (B e M, almas gémeas como nós). Eu, Pedro, 3 filhos. A gata ficou, numa depressão menopáusica, greve de fome, o habitual.

Dias antes pedi a morada ao meu amigo, a fim de projectar todo um percurso desde o aeroporto de Heathrow até à casa deles, tarefa que só me de pensar nela me dava cabo dos nervos, quanto mais executá-la.

Ele enviou-me a morada. Pus no Googlemaps e descobri que do aeroporto a casa dele eram uns simpáticos 15 minutos. Descobri também que da casa dele ao centro de Londres, eram uns horripilendos 75 (setenta e cinco) minutos de autocarro.

Fiquei a olhar para o mapa (eu não percebo muito de mapas, mas este não enganava muito porque tinha legendas com bonecos).Redesenhei novamente o percurso e os horários já planeados. Absolutamente impossíveis de cumprir, pelo que delineei nova estratégia, com outro percurso e  recurso à UBER. 

Ficava pobre para o resto da vida, e continuava a demorar 50 minutos a chegar ao centro.

Fiquei exaurida emocionalmente. Quando o Pedro chegou, confirmou a morada mas confortou-me dizendo que o importante era a experiência e estarmos todos juntos. Sabia que era mentira e imaginei os 3 putos a estrafegarem-se num autocarro 75 minutos e lacrimejei.

Mais à noite, a mulher do meu amigo mandou-me um e-mail com indicações sobre a feira Winter Wonderland. Esse e-mail trazia dois “Ps”.

O primeiro  “Ps“ dava-me conta que não devia ligar à morada que o marido enviara porque era mentira (aparentemente, correspondia a uma morada numa conhecida localidade assombrada na Grã-Bretanha. Asshole).

Afinal, viviam num quarteirão mesmo no centro de Londres.

O segundo ” PS “ dizia, com incrível ligeireza, que íamos certamente gostar da casa deles, pois ficava num sítio muito calmo e seguro para as crianças e que, curiosidade, moravam no tal quarteirão o Jon Snow da Guerra dos Tronos, assim como o o pai do anão que morreu no banco do pensador.

JON SNOW????!!!? Tive que ser imediatamente reanimada. Recuperei, primeiro para insultar o meu amigo pela morada falsa, depois dar-lhe conta da minha enorme satisfação em ficar perto do meu querido Jon Snow.

E a realidade é que lá, fiz uma verdadeira caça ao homem, com a desculpa de ir encontrar (no que me pareceram ser horas intermináveis) esquilos merdosos com o meu inocente filho.

O miúdo uma vez, num único minuto, conseguiu ver um séquito de esquilos, e muito contente virou-se para mim e disse: “Ó Mãe, tantos esquilos, hoje é dia de São Esquilo!”. Achei tão bonito… Instituí: 21 de Novembro será para sempre dia de “São Esquilo”.

Ou dia” Em que Dei 20 Voltas ao Quarteirão e o JS Não Apareceu e Eu ia Morrendo Gelada até Porque Não Sou da Patrulha da Noite e Vivo em Portugal -  Beira Litoral Mas, Por Quem Sois! que Consolo! Vi Esquilinhos Super Fofos.

Ainda vou escolher. Mas Dia de São Esquilo é mais fácil de se desenhar.
E Londres foi muito isto. E mais algumas coisas.

  

domingo, outubro 30, 2016

Quem fala a dormir?

Acordei de manhã e o Pedro estava de olhar vidrado, fixado em mim. Assustador...

" Eu com esta cara de cu e ele a olhar para mim" - pensei inocentemente.

- "Susana, sabes o que disseste esta noite?" - inquiriu.

 Medoooo, muito medoooo!!!!É verdade que eu falo muito a dormir. E durmo bastante.  Eu até acho que toda a gente fala mas, aparentemente,  eu consigo ir do simples balbuciar com os olhos revirados de sono,  para conversas completas e selectas, entrecortadas apenas por pequenos roncos devido ao meu desvio do septo nasal.

Já não é a primeira vez que o Pedro me consegue  reproduzir o nosso diálogo sonâmbulo, e confesso que não me sinto muito à vontade porque naquele estado lastimável, o meu interlocutor consegue  conduzir a conversa e perguntar coisas até níveis assustadores...

(Ele nunca me conseguiu tirar esqueletos do armário, mas sei que é uma questão de tempo, mais uns 5 ou 6 anos e vou-me espalhar ao comprido).

- "Sabes o que disseste?" - repetiu. Não percebi se ele estava nervoso ou apenas impaciente, mas como o Pedro é um ser praticamente robótico, sem emoções visíveis, fiquei em modo de hiper-ventilação.

"Que terei eu dito??? Pensa Susana, pensa!! O que fizeste nas ultimas 24 horas que te comprometesse? Ou 48 horas? Ai, pode ser até uma semana, um mês!! ARGHHHHHHHH PENSA!!!!!"

- "Não sei. O que é que eu disse?" - desisti. 

- "Bem, ontem fui deitar-me e como te encolheste, perguntei se estava tudo bem ..." - começou ele.

- "E eu disse o quê? ahhh Nossa Senhora do Pranto ajudai-me nesta hora ahhhhhh!)" 

"Tu disseste-me: DÓI-ME O PÉNIS!!!"

Credo.

"Mas não foi um simples "Dói-me o pénis" - continuou ele." Foi mesmo com ímpeto e vivacidade. " DÓI-ME O PÉNIS!!!! - " imitou ele.

Até hoje. Dou voltas à cabeça.

1.º - Por que raio me doeria o pénis?!
2.º - Por que motivo disse"pénis" em vez de de "picha" ou "mangalho", palavras que me são muito mais  usuais??

Olhei-o receosa. Mas ele ainda não tinha acabado a minha imitação e já se tinha escangalhado todo a rir na nossa cama.


Ufa,ainda bem que falei no meu (?!).  Também nunca falaria de outro, porque não ando propriamente a ver  pénis no meu quotidiano. Mas a realidade é que a dormir, o céu é o limite e caramba, se eu sonho, e muito! "Dói-me o Pénis", na minha humilde opinião, é simplesmente MUITO BOM. Palmas para mim própria.