segunda-feira, Agosto 25, 2014

Holmes...amo-te. Watson (só para despistar)

Não é para me gabar - sim, claro que é, vou-me gabar como se não houvesse amanhã -  mas eu estou um ESPECTÁCULO!

5 palavras e uma expressão idiomática : Desespero, Holmes, Place, Personal, Trainer, e “perdi  o amor ao dinheiro” ( mas vale cada cêntimo).

Cômputo global:  Susana curvilínea, tonificada e deliciada consigo própria.

Hoje a Kelly Baron ou lá como se chama a brasileira do Pedro Guedes, remou mesmo ao meu lado. Confesso que ela é muito querida, sorridente e sexy.

Mas a realidade é que estive ao lado da Baron e não me senti um porco-montês!! Quer dizer, óbvio  que me senti mal, mas um desagrado  bastante relativo.

Cheguei  inclusive a corrigir a postura lombar ao nível máximo de esforço, toda estrelicada, assegurando-me que ela  tinha uma visão segura das minhas mamas, absolutamente arrebatadoras, acondicionadas num excelente soutien da Triumph.

Pois é, anuncio em primeira mão (para quem queira saber) (vá lá, todos?! Quase todos?), que as minhas mamas (gigantescas, assustaram o pediatra),estão METADE do tamanho e, apesar de ainda roçarem a linha abaixo do umbigo  - muitos smiles tristes :( :( ;( , com soutien juro que pareço a Miss Porca 2014.

Moral da história: … insegura, idiota, flageladora de gordinhas, chamem-me o que quiserem.

Mas neste momento…, bem enquanto escrevo, elevo as minhas esbeltas pernas em direcção ao candeeiro do tecto, e contemplo-as  a contra-luz,. …juro que até a pelúcia das coxas me parece harmoniosa….

Acho que libertei endorfinas em excesso. Espero não vir a ter problemas.


  

quinta-feira, Julho 31, 2014

O DINHEIRO

Quando tinha 17 anos, o Pedro foi para uma (prestigiada) universidade no Canadá (1.º europeu a ser admitido) (POSSO GABÁ-LO? POSSO?! É que vou-me casar dia 4 de Outubro e quero gabar o meu Pedro). Sim, SALSICHA VAI-SE FINALMENTE CASAR Ó MEU DEUS, Ó MEU DEUS, BELISQUEM-ME!!!!!!!

Continuando,

O Pedro teve que ficar em casa de uns tios-avós milionários e, ao mesmo tempo, possivelmente as pessoas mais forretas deste planeta.

Era mais o tio-avô. Do estilo de tomar uma banhoca por semana, de utilizar a piscina pública às 3ªs feiras porque é o dia em que qualquer pessoa pode entrar sem pagar, normalmente eram os sem-abrigo e o tio-avô.

 (Uma 3ª feira obrigou o Pedro a ir com ele. Pendurou as calças e a t-shirt. Disse-lhe que não era preciso dar 20 cêntimos por um cacifo, uma vez que no Canadá é tudo gente séria.. Quando chegou tinham-lhe roubado as calças, e o homem andou desesperado em cuecas pela rua, a abrir os caixotes do lixo com a bengala, a ver se ainda encontrava a carteira). (O Pedro manteve-se a uma distância de segurança/vergonha de 10 metros).

Portanto. Era milionário mas era avarento. Infelizmente sofria de leucemia e mais umas 3 ou 4 doenças que agora não me recordo.

Um dia o Pedro perguntou-lhe por que motivo ele não gozava simplesmente a velhice dele e da mulher, e usufruiam dos bens, dinheiro, casas que detinham. Por  que não davam a volta ao mundo num jacto particular e compravam uma ilha qualquer.

O tio-avô ficou incrédulo com a pergunta.

O senhor já tinha uns 70 anos, tinha tido 2 acidentes de trabalho, um dos quais bastante grave, que lhe encurtou uma perna (andava com aquela bota simpática compensada), o outro menos grave mas que lhe lixou a coluna e tinha que andar de bengala.

"Por que é que eu não gasto dinheiro??!!!"
"Sim, por que não vai com a sua mulher passear, jantar fora, qualquer coisa?

"Ó filho, tenho que poupar, sei lá se um dia não posso precisar!!!"

Repito: Leucémico, uma perna mais curta que a outra, a coxear que se desunhava, dobrado numa bengala. Mas guardava o seu milhão para uma qualquer eventualidade, não fosse acontecer-lhe qualquer coisa.

 (Fui ao freeport snif, sentimento de culpa a extravasar, por isso gozo com os outros. Mais velhos. E falecidos.)

Salsicha vai-se casar, tudo lhe é perdoado.






sexta-feira, Julho 18, 2014

Se conduzir, não se esqueça de...

Este post é dedicado a todos que, em determinado momento, se sentiram os seres humanos mais rascas deste mundo. E a vida continua.

Ia eu toda satisfeita com o Pedro às compras no Modelo (adoro ir às compras domésticas, sinto-me sempre super adulta e responsável).

As sobremesas estavam todas a 50% de desconto – imediato!! O Pedro, conduzindo o carrinho das compras, adverte-me que os nossos gelados (Cornetos 4 ever) iriam ser levados em último lugar para não derreter. Fiquei algo desconsolada porque tinha um legítimo receio que eles se esgotassem, mas não tive alternativa senão ir à merda das hortaliças e afins atrás dele (ODEIO COUVES E COMPANHIA!!! DÃO-ME NERVOS!!). Respiro fundo e continuo a empurrar o carrinho do Francisco (entretido com os seus próprios pés).

Finalmente, as compras terminaram. Agarrei nos meus queridos gelados e fomos para uma caixa de pagamento. Por ainda estar na fila, depositei-os cuidadosamente na prateleira das revistas e espreitei sofregamente a revista Nova Gente.
OMG! A  Bernardina do S.S. 4 está grávida?! Really?”

Entretanto, outra caixa de pagamento, muito mais longe, mas sem ninguém, abriu. O Pedro alcança-a facilmente. Eu lá vou a arrastar-me como sempre com os sapatos novos da Zara (saldos).

**
Pedro (de cara fechada, incomodado): “É tudo?”
Eu (matutando e atingindo pensei: que estúpida, deixei lá os cornetos).
Volto para trás, por acaso até mais lesta que o costume e alcanço as duas caixas encantadoras de gelado. Regresso junto a ele com os cornetos numa mão, e a Bernardina gorda que nem uma texuga na outra (ainda não tinha acabado de ler. Para onde é que ela vai viver?)
**
**
Pedro (rosto impassível): “Tens mesmo  a certeza que não te estás a esquecer de nada?
Fico confusa. As compras todas direitinhas conforme a lista que elaborei com a língua de fora durante 10 minutos. Não faltam o queijo e os 5 litros leite (itens OBRIGATÓRIOS lá em casa). Não falta absolutamente nada, sou a dona de casa perfeita!

Olho para trás. Olho para os lados.

E ao longe, na antepenúltima caixa, está o carrinho do Francisco. Não consigo perceber se ele está a chorar ou não porque está realmente distante (mas por acaso até acho que nem está, não obstante terem-se aglomerado umas quantas pessoas).

Que grande merda! Sinto-me uma carteirista detida em flagrante no 28. E lá vou eu buscar o meu filho em passo acelerado, sorrindo para as pessoas que entretanto se juntaram, como quem fez uma partida ao filho para ele aprender a não ser traquinas.  

O Pedro nada disse. Não precisa.

Posteriormente descansou-me um certo padre, rindo-se: “Susana, não és nada a pior mãe do mundo!! Mas realmente andas lá pelo rol”. É um pároco com muito sentido de humor.

NOT. Que homem estúpido! O que há de pior que um enxovalhamento paroquial??!

Então, seres humanos que já se sentiram muito rascas e a quem dediquei este desabafo… já se ajuizam melhor? Naturalmente que o título completo deste post é "Se conduzir, não se esqueça que tem um filho de 17 meses abandonado numa fila de supermercado, por muito aliciantes que sejam outros estímulos, vulgo gelados e revistas".


 (P.f.: a existirem, preciso de comentários meigos)

quinta-feira, Fevereiro 27, 2014

Resumo dos últimos 4 anos.

Era uma vez uma miúda simpática, muito dada e bem disposta, uma profissional liberal cheia de tempo e de frescuras.

Que encontrou um senhor igualmente bem-disposto, um verdadeiro gentleman

mas que não sabe pendurar os varões dos cortinados e que quando martela um prego cai parte da parede da sala, e ele diz que é apenas estuque (e então? é estuque e então? A parede partiu-se aos bocados ou não?)

(O que pôs em crise todas as minhas teorias de "eu quero é homens a sério, daqueles que sabem arranjar torradeiras")

E a isto chama-se AMOR.

 E o AMOR dá nisto.

Dá numa vergonha social muito grande, nem consegui dizer "estou grávida", porque isso implicaria revelar algumas coisas sobre a minha intimidade, então preferi dizer "vou ter um bebé", como quem diz " comi demasiada mousse, acho que vou ter uma dor de barriga" 

 E esta é a prova de que quando as pessoas estão em perigo iminente entram em absoluta negação.

E  que as pessoas ao seu redor têm tanto medo que dê a travadinha final que fazem-lhe as vontades todas, não obstante as recomendações obstétricas de "CESARIANA AGORA, DEIXEM-SE DE FOTOS"

ps - Mamas absolutamente... como direi?.. INCONSTITUCIONAIS.

Nesta foto reconheço perfeitamente o meu olhar esgazeado e sorriso azedo, com um único significado:

"Podes tirar a foto, mas se eu não gostar dela e não a apagares, irão existir vítimas graves. E não sou eu". (Penso que aqui o bebé pensou  que efectivamente a vítima poderia ser ele, mas na realidade referia-me ao pai  que insistia que eu tirasse uma foto no dia do teste do pezinho. Quem é que tira fotos no dia do teste do pezinho?! Quem?)

E tudo passou. Recompus-me do transtorno pós-cesáreo, a vida continuou, o bebé cresce feliz com leite da mãe e sopas da Bimby, os manos ficam felizes por terem um bebé na família a quem podem pegar numa perna e arrastar sala fora.

O pai gosta muito do bebé mas todos os dias me relembra que não pode ter mais um, porque já tendo 3, se tiver um 4.º  aos 35 anos toma uma cápsula de cianeto.

Mas eu sei que não toma. :)

Não, não estou grávida. A taróloga ainda não me disse nada.





quarta-feira, Fevereiro 12, 2014

E tudo volta ao normal (not)

O Francisco faz 1 ano 2ª feira. Eu volto a repetir.: O Francisco faz 1 ano 2ª feira.

 SANTÍSSIMO NOME DE JESUS!!!

Ainda anteontem apanhei o susto da minha vida com a Taróloga no Fonte Nova de Benfica e agora o meu filho já tem um ano?

Ainda ontem iniciei afincadamente a minha mega-dieta para grávidas na adorável nutricionista para gestantes, engordei 21 kgs e nunca mais lá pus os pés por constrangimento alheio!!

Ainda ontem fiz sabe Deus o quê, uma vez que entretanto a minha memória piorou a 200%, sendo que também tento esquecer determinados períodos em que:

- enjoei de todos os cheiros existentes à face da terra, com especial incidência nos meus MÓVEIS DA SALA com o meu narigão inchado de porca;

- caminhei (ahaahahah hilarious, caminhei!) aos solavancos com as pernas/troncos retesados de tanta tensão e gordura  no difícil trajecto sofá/frigorífico  - frigorífico/sofá;

- andei permanentemente afogada em 2 bolas ultra-gigantes que suscitavam comentários e, juro, não eram lisonjeiros (Mamas. Assustadoras, mas clinicamente ainda eram mamas)

- HEMORRÓIDAS. Malta, a sério, não se brinca com coisas sérias, a srª das análises do Joaquim Chaves ficou tão perturbada que acabou por deixar escapar um "ai a menina depois vai ter mesmo que ser operada" depois de me tentar fazer uma colheita rectal com um micro-pauzinho e NÃO TER CONSEGUIDO (Nota de rodapé: Não fui operada. Voltou tudo ao sítio.Quase tudo).

O miúdo lá nasceu, gabado por toda a gente por saber mamar e chupar tão bem (aparentemente é uma aptidão que não é inata e requer alguma sensibilidade emocional)

E cresceu. Não desmesuradamente (mãe semi-anã, pai magricelas), mas bonito. Loiro, de olhos castanhos meio tortos como os meus, mas  que lhe confere um olhar diferente, misterioso (espero).

Não é por ser meu filho, mas acho que é um génio e é muito mais inteligente que todos as outras crianças, nomeadamente os irmãos Pedro e Afonso que já têm 10 e 9 anos. Temos pena, mas é.

1 ano. 2 dentes, unhas dos pés, tomates, tudo a que um bebé e sua mãe têm direito.

 E continuei a ser advogada, garantindo a comunidade traveca, ganhando romenos e conquistando cabo-verdianos, O meu próximo objectivo é malta de Leste, mas ainda não consegui.

Moral da história: Ter um filho é muito bom. E marido  também, especialmente matrimónio católico, por isso se me estás a ler Pedro Carmo, MANCA-TE.

E era só isto, nada de especial.

(MANCA-TE)


quarta-feira, Janeiro 29, 2014

A minha Barriga ( parte XXVII)

A semana passada, numa ida simpática ao bairro típico da Cova da Moura, encontro-me com o meu cliente.

Perfil técnico do mencionado cliente:

 - cabo-verdiano de 2ª geração com personalidade francamente criminógena,
 - desconhecimento absoluto das regras básicas de vivência em sociedade,
 - 20 filhos dispersos, mas nenhuma pensão de alimentos, nem um brinquedo nem um par de sapatos entregue às crianças (argumento demolidor: as mães portam-se mal).

Basicamente, uma pessoa encantadora.

Devia-me dinheiro, mas como é usual entre a minha clientela, só se lembrou disso quando foi apanhado novamente pela polícia, acabou por ser solto mas novo processo-crime às costas.

A realidade é que ele estava verdadeiramente aflito. E eu também me dava jeito o dinheiro, daí a minha ida à Cova da Moura, uma vez que ele de tão borrado que estava não saiu durante 2 dias do perímetro da rua dele, escondido atrás de uns canaviais.

Cheguei ao pé dele às 8 da noite, cansada, olheirenta, um caco humano.

Berrei-lhe logo : O MEU DINHEIRO PÁ??!!! NEM PENSES QUE AMANHÃ VOU AO TEU JULGAMENTO! SÓ COM O CU APERTADO É QUE TE LEMBRAS DE MIM NÃO É? PAGA O QUE DEVES!! P-A-G-A!

Ele, numa pilha de nervos, no seu português acrioulado : DÔTORA NÃO MI ESTRESSA!!!!! JÁ ISTOU ESTRESSADO O SUFICIENTE, DOTÔRA NÃO MI ES..

E de repente parou. Arregalou as vistas e olhou para mim com olhos de ver.

"Dotôra" - disse com uma voz surpreendida

 "MAS QUI BARRIGA É ESSA HEIN????! MEU DEUS!!

Num micro-segundo percebi que de tão irritada que estava não tinha contraído a barriga como faço eficazmente desde os meus 14 anos. Estava com uma pança de taberneiro inacreditável,  mesmo com as collants redutoras, o que claramente o perturbou.

O MEU DINHEIRO PÁ!!! - continuei eu, perdendo o meu amor-próprio em prol do pagamento da prestação do carro.

Ele sem tirar os olhos da minha barriga sacou das notas, uma a uma, e entregou-mas, mecanicamente.

Naquele dia um mito caiu e deixei de ser a musa branca e boa dos cabo-verdianos da zona para ser uma pançuda avarenta igual a tantas outras velhas desdentadas da estrada da Damaia.

Mas não faz mal. Continuo com a minha comunidade das Travecas. Para essas serei sempre a Suprema Deusa, afinal basta não ter barba e maçã de adão. Travecas Power 4 ever ( e venham lá as comissões de assistentes sociais da comarca da Amadora fazerem comentários depreciativos sobre os meus textos).


Um grande OLÁ a todos, voltei ao activo! (sem ginástica, claro)

sábado, Outubro 26, 2013

Meu Filho e Bebégel = Nada a ver

Nota prévia: enquanto escrevo, o puto degladia-se consigo próprio aqui na cama e vejo pernas e braços e peúgas pelo ar, vou tentar abstrair-me mas juro que é uma tarefa quase hercúlea.

O que me traz aqui hoje foi o facto de eu, ao ser mãe, descobri que pura e simplesmente não consigo lidar com introdução de objectos em cavidades e orifícios. (Que não sejam meus, note-se).

Na realidade, ainda na maternidade, quando que me disseram para limpar as orelhas ao miúdo com um cotonete, eu ia simplesmente desmaiando. Voltaram a repetir-me a ordem, porque, pelo que eu percebi, só davam alta às mães minimamente preparadas para o ser.

Voltei a agarrar no cotonete, aproximei-me daquelas orelhinhas de ratinho e de repente senti o chão a fugir-me. Sentei-me numa cadeira e disse "Não consigo. Juro pela minha saúde que não consigo."  A enfermeira olhou para mim aturdida mas vendo-me branca e com uma data de outras mães com quem se aborrecer, deixou-me em paz.

Noutra noite mandou-me pôr soro num cotonete e limpar o nariz da criança. Eu mal dava com a cara do miúdo quanto mais com as narinas! Lá as descobri, mas eram mais pequenas que duas cabeças de alfinete. O cotonete assemelhava-se a um tronco de uma sequóia. Vi tudo desfocado e sentei-me na borda da cama. Vieram-me as lágrimas aos olhos e pensei "Eu quero a minha mãe".

Já em casa, o verdadeiro horror aconteceu. O Francisco sem conseguir fazer o seu cocó e o Pedro a tentar ensinar-me a estimulá-lo com um tubinho de Bebégel. Desta vez eu não ia desmaindo. Eu ia mesmo morrendo.

Só de o ver a aproximar-se do rabo do miúdo com um tubo, fiquei com a tensão baixa. Quando o vi a introduzi-lo, deitei-me na cama e trouxeram-me um copo de água com açúcar.

O Pedro, nessa semana, obrigou-me a assistir. Ludibriei-o. Fingi estar super determinada a aprender e disse : "Avança". Depois entortei os olhos desfocando o cenário, enquanto ia lançando frases como "ah, realmente não é assim tão difícil" ou "isso alivia-o tanto, que bom", dando inclusive ligeiros  gritinhos. Isto sem ver nada.

Até que chega o dia em que o Pedro me obriga a ser eu. E ele é, digamos, assertivo. Não tive escapatória. A tremer agarro no tubinho. Olho para aquele rabo minúsculo, aquele esfíncter inocente, clamando piedade.

Chorei. O Pedro só me dizia impaciente " Ouve, o teu filho tem cólicas, está a sofrer, precisa de ti"". E aí chorei como se não houvesse amanhã.

E quando o Pedro se ausentou uma semana inteira para Cabo Verde, o meu mundo desabou. Numa madrugada com o Francisco e o seu cocó entalado, tomo um Xanax de 0.5, agarro no famigerado tubinho cortado do Bebégel e aproximo-me.

O Francisco olha para mim. Eu olho para ele. Encaro a fralda, retiro-lha e eis que surge um Rabo Desamparado.

O Bebégel assemelha-se a um míssel, tenho a certeza que já vi torpedos menos ameaçadores.
Olho para o rabo e parece-me um anjo em forma de cu.
Chorei, ele chorava, até acho que o gato estava com um ar triste (a Nina dorme na minha cama).

Desta vez não chamei pela minha mãe. Agarrei numa mochila, no saco dele e fiz-me à ponte Vasco da Gama. (sim Pedro, é verdade! Guess what, não estavas aqui para me impedires!)

Posso ser a pior mãe do mundo, mas felizmente tenho a melhor.